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Faculdade
Deficiente auditivo luta para fazer a prova do Enem
Dieferson Marcel precisa de um intérprete no momento em que for participar da seleção.
Da Redação - 13/3/2010 - 12:06
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Letra
Campo Bom - No ano passado, o garoto hamburguense Guilherme Finotti, 17 anos, passou por uma verdadeira prova de fogo para conseguir fazer o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). E não foi a paralisia cerebral o maior obstáculo para a realização da prova, mas a burocracia. Agora, é a vez do jovem Dieferson Marcel Martins, 25 anos, enfrentar dificuldades para fazer a prova.
Por causa da deficiência auditiva, necessita de um intérprete no momento da prova (por ser em Língua Portuguesa, precisa ser traduzida para Libras) . Entretanto, apesar de informar sua deficiência no momento da inscrição e teoricamente ter garantida a presença deste auxiliar durante a prova, no dia do teste isso não aconteceu.
"Nós é que tivemos que correr atrás de intérpretes para ele fazer a prova. E isso prejudica o seu desempenho no exame", reclama a mãe de Dieferson, Rosângela Maria Pretto Martins. "Ele já enfrentou duas vezes esse problema no ano passado e ninguém consegue resolver", disse Rosângela.
Providências
A assessoria do Ministério da Educação informou que irá verificar o que aconteceu no caso de Dieferson Martins. Conforme o decreto federal 5626/05, considera-se pessoa surda aquela que, por ter perda auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso da Língua Brasileira de Sinais – Libras. E é esse direito que Rosângela Martins exige para seu filho. "Ele não consegue fazer a prova direito. O motivo é a falta de alguém que ajude na compreensão das questões", reclama.
Exemplo de superação
Guilherme Finotti começou a frequentar no mês passado o curso de Tecnologia em Sistemas para a Internet, no Centro Universitário Feevale, em Novo Hamburgo. Por causa da boa colocação na prova do Enem (ficou em 9.º lugar), conseguiu bolsa integral do Programa Universidade para Todos (Prouni). No índice geral, o estudante hamburguense tirou a 3.ª colocação na lista dos bolsistas, perdendo apenas para um estudante de Biomedicina e um de Direito.