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Comportamento
Paixão fora de série: conheça quem são os seriadomaníacos
Histórias produzidas pela TV encantam o público e criam legiões de fãs, ávidos por novos episódios.
Gabriela da Silva/Da Redação - 21/1/2010 - 13:00
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Letra
Novo Hamburgo - Não é preciso ser um baita especialista para entender o comportamento dos fãs de seriados. Uma história bem contada é o que atrai o público para a frente da televisão. E algumas chegam a dar saudades dos personagens quando termina a temporada.
Você quase rói a mão inteira esperando a estreia de um novo espisódio. Já deixou de sair de casa porque não podia perder o capítulo de uma série. Quando a temporada termina sente saudade dos personagens. Não se preocupe, há mais algumas milhares de pessoas iguaizinhas a você: os "seriadomaníacos". O jornalista e dono do blog Poltrona TV, Ale Rocha, 33 anos, é um deles. Fissurado em 24 Horas, ele já assistiu a todos os episódios que saíram até agora. "Quando a temporada termina dá um vazio", afirma o apaixonado pelas cenas de ação protagonizadas pelo ator Kiefer Sutherland (Jack Bauer).
Segundo ele, um bom roteiro e a interpretação impecável é que garantem sucesso na telinha. "Tem alguns episódios de House, por exemplo, que podem até ter um enredo fraco, mas vale assistir pela atuação de Hugh Laurie (Dr. House)". Outro fator importante são os estereótipos criados pelas séries, destaca a psicóloga e blogueira do Jornal NH, Patrícia Spindler. "Isto faz com que as identificações sejam bem intensas. Além disto, (os seriados) tratam de assuntos e refletem interesses de determinados grupos, fazendo com que os personagens passem a fazer parte da vida das pessoas, levantando questões como: se eu fosse ela ou que eu faria naquela situação?".
Histórias policias com boas doses de suspense e investigações de deixar qualquer um quebrando a cabeça, como CSI e Criminal Minds, também sabem atrair seu público. "Dizem que o norte-americano não vai para a cama sem antes assistir a uma série policial", brinca Rocha, descrevendo o fascínio pelos seriados como parte da cultura televisiva dos Estados Unidos.
No Brasil, as séries despertam interesse desde as décadas de 1970 e 80, com seriados como As Panteras, O Homem de 6 Milhões de Dólares, e produções brazucas como Malu Mulher e A Grande Família. Mas, de acordo com o blogueiro, foi com a Internet que os brasileiros se renderam de vez às produções em série. "Há maior acesso à informação sobre os seriados pela rede. E, assim como acontece com a música, o que é moda nos EUA vira moda aqui também", destaca.
Fanáticos por seriados
Alguns fãs ficam supervidrados na televisão enquanto assistem aos episódios de sua série preferida. Praticamente hipnotizados. Não há barulho que os distraia. Mas, tudo que é em excesso deixa de ser positivo, alerta a psicóloga Patrícia Spindler. "Quando as pessoas acabam se privando de outras coisas da sua vida, por exemplo, deixar de sair num compromisso importante ou social, fazer outras coisas como conviver com a família, amigos, escutar música, ler, enfim, torna-se prejudicial".
Para tranquilizar os fãs, ela lembra que sempre haverá DVDs e sites especializados. Desta forma, os episódios podem ser vistos e revistos, não é preciso arrancar cabelos porque perdeu um ou outro.
Estilo TV de ser
A admiração de Ale Rocha por televisão começou quando ele era criança. Tanto que sua mãe conta que ele foi praticamente alfabetizado assistindo Vila Sésamo. Mas o blog Poltrona TV, que aborda tudo o que acontece no meio televisivo (tudo mesmo) só foi surgir em 2005, quando o jornalista foi diagnosticado com uma doença rara e ficou sabendo que precisaria de um transplante pulmonar para continuar vivendo. Proibido de fazer qualquer esforço físico, ele teve de abandonar o trabalho, naquela época como assessor de imprensa.
Depois de um tempo abalado pela notícia, Rocha começou a procurar boas possibilidades em sua atual situação. Foi aí que um amigo deu a (excelente) ideia de criar um blog falando sobre televisão. Hoje, a página soma cerca de 7,3 mil visitas por dia e até virou livro, o Poltrona – O livro do maior blog independente sobre TV, lançado no último dia 14. Seus comentários e críticas sobre programas, séries, novelas, noticiários também podem ser conferidos pelo Twitter. "Decidi seguir em frente, tive que me adaptar à doença e hoje levo o blog de forma séria mas descompromissada".
Lostmania
A paixão por Lost não tem limites. O tradicional Discurso de Estado do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, sempre transmitido em cadeia nacional no país, estava marcado para o dia 2 de fevereiro, mas a data pode ser alterada por causa da estreia do primeiro episódio da 6.ª e última temporada de Lost, que estava agendada para o mesmo dia. A emissora ABC chegou a anunciar que a exibição teria a data alterada, mas a onda de reclamações dos fãs foi tão grande que há rumores de que o pronunciamento de Obama será transferido, segundo Ale Rocha, do blog Poltrona TV. Dude! We can... watch Lost!
Fique ligado!
Série: tipo de produção em que todo episódio tem ligação com o anterior.
Exemplo: Lost Seriado: os episódios são independentes uns dos outros. Cada um conta uma história nova.
Exemplo: Smallville
Fotos: Rivelino Meireles/GES e Rodrigo Rodrigues/GES