Fernanda Rodrigues
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Drama
A Fita Branca investiga Alemanha pré-nazista
Em um vilarejo alemão às vésperas da Primeira Guerra, começa uma série de crimes e mortes estranhas.
André Moraes/Da redação - 28/2/2010 - 15:38
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Alemanha - O filme alemão A Fita Branca (Das Weisse Band) tem chamado a atenção por ser um dos favoritos ao Oscar de Filme Estrangeiro 2010. Mas se for preciso adotar algum critério dessa espécie para avaliar seus méritos, mais valeria lembrar que ganhou a Palma de Ouro em Cannes. Esta produção em preto e branco teria
até um interesse especial para o público do Vale do Sinos, pelo aspecto da reconstituição de época.

É quase uma fábula. Em um vilarejo alemão às vésperas da Primeira Guerra, começa uma série de crimes e mortes estranhas. Afetadas por ou mesmo envolvidas nos acontecimentos estão as crianças da comunidade, cuja realidade é como que um espelho do mundo dos adultos, cheio de segredos, repressão e autoritarismo. Logo na primeira cena o narrador comenta que o que vai contar poderia explicar os episódios pelos quais passaria a nação logo depois. É possível ler o filme como uma alegoria do Reich ou uma investigação sobre as origens do nazismo.

Afinal, a geração que àquelas alturas estava na infância ergueria mais tarde a Alemanha de Hitler. Vários ingredientes do totalitarismo nacional- socialista podem ser vistosemreleitura no cotidiano das crianças do vilarejo. A fita branca do título é um castigo que um pastor dava a seus filhos: quando erravam,
ele os obrigava a vestirempúblico uma fita branca para que fossem lembrados da pureza e necessidade de não pecar. Outros detalhes incluem o tratamento cerimonioso que os filhos deviam dar aos pais, com termos muito semelhantes aos empregados mais tarde pelos seguidores do Führer. Infelizmente as legendas em português deixam escapar algumas destas pérolas. Mas o filme dirigido pelo veterano Michael Haneke vai além da alegoria ou da investigação histórica. Há um uso habilidoso da fotografia em preto e branco, responsável pelos prêmios de cinematografia que A Fita Branca vem conquistando. Até no Oscar concorre também nesta categoria. Sutilmente, o contraste é um recurso narrativo. Acompanhando o clima pesado de alguns momentos há mais tons de cinzaemenos contraste. Noutros pontos, o realismo é reforçado pelo branco e preto bem destacados. Esta jogada, talvez mais do que a história, é um dos recursos de grande cinema em Das Weisse Band.

Acessoriamente, o público local com raízes alemãs pode se identificar com várias coisas, como a rigorosa moral germânica de alguns personagens e lances como a conversa sem firulas e direto ao ponto de certas figuras. E um último comentário, externo ao filme. Apesar de seus muitos méritos, A Fita Branca acaba
confirmando uma antiga regra – que os filmes da Alemanha que ganham repercussão mundial sempre acabam sendo aqueles que exumam a ferida histórica do nazismo.

Foto: Reprodução

Tags/ palavras-chave:cinema, filme
 
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