|
|
 |
|
 |
 |
 |
| Confira todas as quintas a versão impressa do Bah!, encartada nos jornais NH e VS |
 |
 |
|
|
 |
|
|
12 de Outubro de 2010 - 18h39m |
A Esperança que Sakineh Deixa ao Mundo: |
|
Existem culturas onde o adultério é crime, não sujando apenas a imagem de quem comete a infidelidade, pois o ato é julgado, com sentenças que variam de chicotadas a apedrejamento em praça pública. As mulheres são as que mais sofrem ao praticar esse crime, já que não têm direito a requerer divórcio, são submetidas a casamentos, talvez em condições desgostosas, tendo que dividir seu marido com até cinco esposas.
Uma das penas praticadas aos condenados é o apedrejamento. O condenado é enterrado no chão; nos homens até a altura da cintura, nas mulheres até a altura dos peitos, com os braços presos ao chão. Então recebe pedradas até o óbito, ou conseguir escapar do buraco, o que é raro. Uma das maiores polêmicas dos últimos dias é, sem dúvida, a situação de Sakineh Mohammadi.
A viúva iraniana que em 2006 foi condenada a pena de morte por apedrejamento, agora recebe apoio de todas as partes do mundo para sua absolvição. São protestos nas principais capitais do planeta, presidentes oferecendo asilo, sites e páginas na internet apoiando e pedindo pela libertação de Sakineh. Até o atual presidente do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva, tentou interferir na pena de morte da iraniana, mas acabou recebendo uma resposta negativa por partes do governo iraniano, sempre rigoroso no cumprimento de suas leis.
A defesa de Sakineh afirma que ela já não vivia com seu marido há dois anos, quando foi acusada de adultério, mas mesmo assim, qualquer relação com qualquer homem, mesmo sendo viúva, é considerada crime. O Tribunal Supremo Iraniano divulgou estar revendo a condenação da iraniana, mãe de dois filhos. No entanto, enquanto ela não for completamente absolvida, poderá ser apedrejada a qualquer momento. Essa incerteza quanto à liberdade de Sakineh é o fermento que aumenta a repercussão do caso. Um site chamado Free Sakineh foi criado, atualizando diariamente com notícias e recolhendo assinaturas de pessoas que apoiam a libertação da condenada.
O que mais chama atenção no caso Sakineh é a forma violenta como esses crimes são julgados. Como é possível, em pleno século XXI, uma mulher ser morta em praça pública por um adultério? Com certeza dentro da visão da cultura daquele país é perfeitamente normal uma punição como essa, é completamente imperdoável um adultério, mas parando para pensar nessa realidade tão distante do mundo ocidental, não nos parece algo tão primitivo? Será que não há uma forma de impedir esse tipo de acontecimento dentro dessa cultura? Mas e agora que a nossa cultura, que deve ser vista como liberal e, por quê não, sem leis, interferiu diretamente na sobrevivência de Sakineh, estamos fazendo certo? Afinal, por mais primitiva que nos pareça essa atitude, é a maneira que o Irã tem de governar seu povo, é a sua cultura e não deve ser julgada como primitiva apenas por ser diferente da nossa.
Mesmo com toda essa interferência ocidental, que deve estar irritando muito o governo do Irã, fica a minha torcida pela libertação de Sakineh. Aliás, não torço somente por ela e por seu futuro, torço pelo futuro de todas as outras mulheres oprimidas que devem estar acompanhando o caso Sakineh com esperanças de um dia serem felizes de fato. Torço pelo dia em que os crimes não precisem ser solucionados com violência, pelo dia que as mulheres tenham, finalmente, direitos iguais aos homens; seja na cultura que for, na classe social que for, independente de religião, cor da pele, idade ou sobrenome.
|
|
|
4 de Julho de 2010 - 21h44m |
Aprender com o erro dos outros: |

Exposição da convivência humana; esse é o produto dos realitys shows exibidos nas televisões mundo a fora. Intimidades, comportamentos, opiniões e opções fazem destes programas verdadeiros líderes de audiência. Mas, afinal, por quê nos interessamos tanto em assistir o cotidiano dos demais, muitas vezes julgando, apoiando e defendendo seus participantes?
Criado na década de setenta, no Estados Unidos, "An American Family" mostrava a realidade de uma família à beira de um divórcio iminente e a revelação de um filho sobre sua opção sexual. O precursor dos reality shows mostrou, naquele tempo, situações polêmicas que, certamente, serviram de exemplo, tanto positivo quando negativo, aos seus espectadores. Hoje em dia, o mesmo modelo de programa mostra situações que refletem a realidade cotidiana atual; dramas e dilemas, sentimentos e atitudes, substantivos presentes na vida de quem assiste tais programas e de quem é assistido.
A polêmica provocada pelos reality shows não termina quando o mesmo se encerra. Ela perdura por semanas, meses e até anos, podendo ser usada como exemplo do que é certo e errado. O Big Brother Brasil 10, por exemplo, recentemente exibido pela Rede Globo, apresentou ao público participantes com opções sexuais diversas. Mais do que simplesmente observar, tivemos a oportunidade de conhecer, julgar e entender suas ideias e atitudes, não apenas julgar sua imagem.
Histórias, paixões, preconceitos, comportamentos... Poucas coisas conseguem ensinar tanto à realidade quanto a própria realidade. Muitas vezes nos identificamos com um ou mais participantes, os defendemos e torcemos por eles, aprendemos com seus erros e acertos. É característica louvável dos seres humanos, mesmo que não praticada por todos, a capacidade de aprender com os erros dos outros.
Mesmo que constantemente criticados, os reality shows ensinam seus espectadores a aprender mais sobre si próprios. Não que as pessoas desconhecessem umas às outras antes da existência dos mesmos, mas os reality shows exibem uma pequena representação da sociedade que muitos não conseguem, ou não querem enxergar.
(Redação que fiz no vestibular da Unisinos - 26/06/2010)
|
|
|
27 de Junho de 2010 - 17h2m |
Somos gordinhas e daí? |

Estive observando o comportamento das pessoas na internet, principalmente no Twitter, onde fico ligada quase dezoito horas por dia. Percebi que a preocupação de nós, meninas, sobre nosso peso está diminuindo. Com a quantidade de informações que recebemos por dia, acabamos nos dando conta que estar um pouco acima do peso normal não é crime e que se nos sentirmos bem como somos, temos que continuar desse jeito.
Mas como a internet colabora com a quebra desse preconceito? Veja bem; é alto o número de páginas e perfis na internet com fotos de garotas fofinhas que se sentem bem e se mostram lindas como são. Isso vai completamente ao contrário do que, pela lógica, deveria acontecer: as pessoas esconderem suas insatisfações com o corpo por trás de perfis e fotos não verdadeiras. Estamos tendo contato com outras garotas que são gordinhas e são felizes, nos perguntamos por quê não?" e nos jogamos na vida.
Tenho uma amiga baixinha, gordinha e de cabelos curtos. Meus amigos de escola acham ela linda e dizem que de uns tempos pra cá, ela só vem melhorando. Linda do jeito que ela é, linda por ser como ela é. Parece que não há mais um padrão, ou mesmo que nunca houve algum, que dissesse quão magra teríamos de ser para sermos bonitas.
Tenho um amigo que prefere as meninas magras esqueléticas, mas até ele reconhece a beleza das gordinhas: "Tem guria gordinha que é sexy, mas tem aquelas que são porcas...". Está aí a grande evolução de nós, meninas fofas: somos gordinhas mas somos charmosas! Quem foi que disse que nossos quilos a mais não são um charme? Bastam bom senso na hora de escolhermos nossas roupas e autoconfiança que o mundo em breve será nosso.
Já percebeu que existem mais atrizes gordinhas nas novelas? E as apresentadoras de telejornais? Cantoras também estão entrando nessa onda, tem também aquelas que nunca deixaram a preocupação com seu peso tomar os rumos de sua vida. Amy Lee, do Evanescences, por exemplo, mostra uma barriguinha em algumas fotos e shows, o que não influencia em nada na sua fama, porque ela é boa no que faz do jeito que ela é.
Estava acessando alguns Tumblrs e encontrei um que mostra fotos de mulheres gordas e lindas. Não é mais novidade nenhuma que muitos homens preferem as gordinhas que as magrinhas e com certeza, você gordinha, já ouviu elogios de algum menino.
Meninas, o recado é: sintam-se bem do jeito que são. Não há mal algum em ser fofinha, desde que isso não prejudique sua saúde. Eu conheço muitas menines gordas que são completamente felizes com seu corpo e acredito que vocês também devem conhecer. Está mais do que na hora de focarmos no que queremos ser e não no que a moda, revistas ou televisão dizem que devemos ser. Nem sempre a magrinha da novela é feliz com o corpo dela e isso nós não conseguimos ver do lado de cá da tela.
(texto postado por mim originalmente em http://paposdeguria.blogspot.com)
|
|
|
22 de Maio de 2010 - 1h53m |
O que nos define adultos? |

Cheguei a uma idade onde as pessoas não param de me cobrar maturidade: dezoito anos. Trabalho, escola, família... é como se você fizesse dezoito anos e, automaticamente, se tornasse adulto, responsável, maturo e coerente. Sempre há alguém para me lembrar quantos anos tenho, mesmo que seja apenas para me elogiar. É que isso me irrita.
Estou convivendo com pessoas cada vez mais imaturas, pelo menos é essa a impressão que tenho. Na escola, em uma turma que deveria ser formada por alunos que trabalharam o dia inteiro e, portanto, supostamente responsáveis, me vejo praticamente isolada. Existem imaturos de todos os tipos, desde os que se apoiam nos pais para conseguir tudo o que precisam, aos que pensam ser grandes adultos, que de tanto criticar os atos dos outros imaturos, não percebem quão criança estão sendo.
Há pouco tempo atrás, tive de fazer meu título de eleitor. Como o prazo estava se esgotando, as filas estavam enormes, com alguns migrantes que precisavam atualizar sua zona eleitoral, jovens em busca da primeira via do seu título, vários deles, aliás, acompanhados por suas mães, como se eles não fossem capazes de fazer o documento, que não demora cinco minutos, sozinhos.
Seriam os adolescentes hoje, os adultos dependentes de sua própria família amanhã? Como pode alguns jovens se prenderem ao fato de que são dependentes dos pais e familiares? Aliás, o que é que define quando uma pessoa se torna adulta? Acredito que um documento dizendo em qual dia tu nasceu não fale muito sobre a maturidade de um ser humano, ainda mais os seres humanos que vemos hoje em dia; filhos que não se importam com a opinião e ordens dos pais, crianças trocando apelidos ofensivos desde pequenos, personalidades cada vez mais materialistas e consumistas, etc.
E de nada me importa ter dezoito anos agora e ser considerada adulta hoje pois, na minha primeira dívida fui socorrida e orientada pelos meus pais. Definitivamente, não quero ser uma adulta precoce, morando na residencia dos pais até um provável casamento. Terei independencia financeira, liberdade de escolhas e nenhum tipo de vínculo ou necessidade por parte da minha família, a não ser o relacionamento emocional.
|
|
|
|
 |