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24 de Julho de 2009 - 14h27m
Discutindo um pouco sobre gênero...
Meninos gostam de azul, meninas gostam de rosa. Meninos brincam com carros, meninas brincam com bonecas. Meninos são fortes, meninas são delicadas. Meninos jogam futebol, meninas dançam balé. Essas associações transpassadas pelo senso comum diariamente, marcam o pensamento de nossa sociedade ocidental, e os valores que são transmitidos por esta.

Essa foi a base de discussão do Projeto Banheiro Unissex, edição Sul do Projeto Riot Brasil: estereótipos que são criados socialmente e que acabam por definir e legitimar o que é ser feminina e o que é ser masculino. O que buscamos é a compreensão da diferença entre questões biológicas e questões sociais nas relações de gênero.

Outros temas também abordados neste evento ocorrido no final de 2008 foram a discriminalização do aborto, questões de gênero nas religiões, diversidade sexual, meios sexistas de publicidade, prostituição, impacto da sociedade patriarcal sobre o homem, entre outros. Todas eles com base nessa construção social de gêneros.

As discussões abordadas por aproximadamente trinta jovens, entre 6 e 35 anos, ocorreu durante toda uma tarde na Redenção, em Porto Alegre. Vindo ainda de outras cidades interioranas, as questões foram abrangidas e discutidas até que se chegasse a um consenso de compreensão do tema abordado.

Noções básicas discutidas:
- feminino e masculino são construções sociais e não biológicas: não está nos genes das meninas gostarem de rosa, assim como não está nos genes dos meninos gostarem de mulher, carro e futebol;
- a discriminalização concede a mulher seu direito de escolha sobre seu corpo, a fim de abolir o crime moral;
- não estamos pré-dispostos a sermos monogâmicos e heterossexuais, assim como o gênero, são construções sociais que nos associa a uma ou outra sexualidade;
- a prostituta utiliza seu corpo como instrumento de trabalho, bem como esportistas, porém, ela não deixa de mercantilizar o seu próprio corpo de maneira machista e sexista;
- revistas, propagandas, televisão ainda abordam a mulher como produto a ser consumível, interligando a desejos de acordo com o gênero;
- não somente a mulher, mas também o homem é atingido por essa sociedade machista e patriarcal, onde ele deve assumir uma posição de homem forte, insensível, racional, "pegador", viril.

Não é fácil termos que desempenhar diariamente nossos personagens sociais, de acordo com um padrão moral de nossa sociedade. Se conseguirmos compreender essa atuação que fazemos, e o que podemos realmente fazer tirando a moral social e religiosa de nossas vidas, com certeza não precisaríamos mais interpretar nenhum personagem, além de nós mesmos...
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